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Entregadores de delivery pretendem criar cooperativa por melhores condições de trabalho e renda
28/07/2020

Nos últimos dias, diversos veículos da imprensa nacional têm dado destaque às mobilizações de entregadores de delivery, que buscam por valores mais justos nas corridas e melhores condições de trabalho, principalmente durante a pandemia, que exige cada vez destes profissionais que estão no segmento considerado como essencial no período.

A segunda paralisação nacional do Breque dos Apps ocorreu no último sábado, 25, em São Paulo e outras cidades brasileiras. Diante deste cenário, parte dos trabalhadores querem fundar uma cooperativa, com seu próprio aplicativo de entrega.

Adeus iFood

Segundo a matéria publicada nesta segunda-feira, 27, pela BBC News Brasil e revista Mundo Coop, o processo de criar uma cooperativa para concorrer com grandes plataformas de entrega, no entanto, não é simples nem barato. Apenas o desenvolvimento inicial de um aplicativo enxuto do tipo custa cerca de R$ 500 mil, segundo profissionais consultados pela BBC News.

Para tentar transformar a ideia em realidade, grupos de entregadores contam com o apoio voluntário de advogados, economistas, programadores e estudiosos do cooperativismo de plataforma — conceito criado por Trebor Scholz, intelectual e ativista americano, para o fenômeno crescente no mundo de uso das ferramentas digitais por cooperativas. Uma das ideias por trás desse movimento é que os trabalhadores apropriem-se da lógica da plataforma, usando os algoritmos ao seu favor.

“A tecnologia não é neutra. As plataformas, do modo como são construídas, têm uma gestão algorítmica que acaba beneficiando as empresas”, afirma um dos apoiadores do movimento, o pesquisador em trabalho digital e professor o Instituto Humanitas Unisinos, Rafael Grohmann.

Cooperativas na Europa são inspiração

O movimento aqui no Brasil tem buscado inspiração em cooperativas de entrega que já existem no exterior, embora, em geral, sejam ainda iniciativas recentes que contam com cerca de 20 a 30 entregadores apenas. É o caso da Mensakas, criada em Barcelona a partir de um movimento grevista contra a Deliveroo – empresa de entregas forte na Europa – em 2017.

O grupo brasileiro está também em contato com a CoopCycle, uma federação que reúne 30 cooperativas do tipo, sendo 28 na Europa e duas no Canadá. Sediada na França, ela permite que cooperativas em diferentes cidades compartilhem serviços, como o uso de um software e aplicativo comuns, com objetivo de baratear custos.

A entregadora de delivery, Eduarda Alberto, conta que apoiadores da causa já realizaram a tradução do aplicativo da CoopCycle para o português e agora trabalham na adaptação da plataforma para um sistema de pagamentos que opere no Brasil. “O primeiro desafio está sendo convencer a galera do Coopcycle a inserir motocicleta na própria plataforma deles, porque pouparia muito trabalho de desenvolvimento. Se não for viável, vamos desenvolver uma nova”, diz a entregadora.

Cooperativismo de plataforma

Outro aliado da criação da cooperativa é Rafael Zanatta, doutorando do Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo e tradutor do livro “Cooperativismo de Plataforma”, de Trebor Scholz, para o português.

Ele reconhece que a concorrência com as grandes empresas de aplicativo não é algo fácil e diz que um caminho para as cooperativas é justamente buscar nichos de mercado, com empresas e consumidores mais preocupados com um consumo consciente, como fazem pequenos produtores de alimentos orgânicos no Brasil.

“O cooperativismo de plataforma não elimina a big tech (grande empresa de tecnologia), assim como hoje o associativismo (de pequenos agricultores) não elimina a big food (redes de supermercado). Mas acho que são campos de resistência, de tornar os mercados mais plurais e de dar alternativa para o cidadão escolher”, afirma Zanatta.

Cooperativas locais e articuladas

O diretor geral da Faculdade de Tecnologia do Cooperativismo (Escoop), Mario De Conto, avalia que um dos principais desafios para as cooperativas concorrerem com grandes empresas é “a escala”. Ao contrário de empresas como Uber Eats, iFood e Deliveroo, que operam em centenas de cidades, e até mesmo em diferentes países, as cooperativas de entrega costumam atuar localmente e com poucos cooperados.
Um meio de tentar reduzir essa desvantagem é o modelo de federação usado pela CoopCycle, diz. Isso permite ao usuário baixar um único aplicativo no seu celular e, por meio dele, acessar o serviço de diferentes cooperativas.

“Eu hoje acredito em cooperativas locais, mas articuladas entre si. Por exemplo, eu tenho Uber no meu celular; em qualquer cidade que eu for eu chamo Uber com o mesmo aplicativo. Talvez o caminho para as cooperativas seja ter um aplicativo geral, mas com cooperativas locais”, acredita De Conto.

 

Com informações da BBC News Brasil
 


  
  
 
 
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