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Especialista esclarece sobre a importância da prevenção contra a obesidade infantil
05/06/2019

O impacto da obesidade na criança é muito grande se precoce, por isto, é muito importante se prevenir contra a doença”, explica a dra. Marta Lopes

No dia 03 de junho é lembrado o Dia da Conscientização Contra a Obesidade Mórbida Infantil. Por isto, a Unimed Salto/Itu conversou com a pediatra especializada em endocrinologia, dra. Marta Lopes sobre o assunto. Vamos conferir mais informações?

O que é obesidade?

Obesidade é um distúrbio no metabolismo energético. Ou seja, é um desbalanço entre o gasto e ganho energético. Segundo a Dra Marta Lopes, “isto vai depender de uma classificação, no caso o grau 1, 2 e 3. Esta classificação é feita pelo Índice de Massa Corpórea- IMC, que é o Peso dividido pelo quadrado da altura. No grau 3, a obesidade já é considerada mórbida. Na criança, isto é analisado baseado em tabelas. Atualmente, utilizamos a da Organização Mundial de Saúde. A gente não pode falar quando já está no mórbido, tem que ser desde o início e não no caso mais avançado”.

A doutora ainda explicou que a análise com a criança começa desde que ela é gerada. “O pediatra deveria entrar desde o pré-natal. Este desbalanço energético pode começar desde a mãe, com fatores ambientais, por exemplo. Uma mãe que é diabética, que ganhou muito peso na gestação, que tem uma alimentação desregulada, uma criança que nasceu prematura, e outros fatores, podem influenciar no peso desta criança. No pré-natal então já começa esta orientação sobre a alimentação, para o bebê nascer com uma programação metabólica para não ser obeso”, aponta.

Programação metabólica

A doutora explica que “a programação metabólica ou imprinting é como o ambiente gestacional tem influência sobre a estrutura, fisiologia e metabolismo do indivíduo ao longo de sua vida, facilitando ou não doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade. Existem alterações reversíveis e herdáveis no genoma do indivíduo, que chamamos de mecanismo epigenética. ”

A doutora completa explicando que “estamos falando dos primeiros mil dias do bebê, que envolve o período de gestação (40 semanas) até os dois anos da criança. Este é um período de intenso crescimento e desenvolvimento, o cérebro cresce muito neste período e com todo este ganho, se não for feita uma alimentação correta, com aleitamento materno exclusivo até os seis meses, alimentação complementar após seis meses de maneira adequada, evitando alimentos nestes dois primeiros anos, como leite de vaca e soja (se não indicado), gordurosos, frituras, doces, as crianças já teriam uma ótima melhora na qualidade de vida”, reitera a Dra Marta.

Ela ainda explica que a criança está crescendo e ganhando estrutura corpórea, óssea, então ao mesmo tempo que a perda calórica é maior, o ganho também é necessário. Por isto, se a criança não receber cuidados nestes dois anos, ela não vai ter um desenvolvimento total.

Riscos da obesidade mórbida

  • Doenças crônicas
  • Dislipidemias (aumento de colesterol e/ou triglicérides)
  • Risco de doença cardiovascular
  • Infarto
  • Acidente Vascular Cerebral
  • Problemas musculares e ósseos
  • Hipertensão arterial
  • Diabetes tipo 2
  • Riscos psicossociais (depressão, ansiedade, etc)
  • Apneia do sono
  • Doença gordurosa do fígado 

A importância da prevenção

A doutora Marta orienta sobre alguns métodos que atuam na prevenção da obesidade mórbida infantil. “A criança precisa ter o início de alimentação de maneira correta e tranquila, não rigorosa, no sentido de “tem que comer”. Ela também deve praticar atividade física. Até os dois anos são brincadeiras. É importante diminuir o número de horas assistindo televisão ou na frente das telas: é recomendado no máximo duas horas por dia. A obesidade que era de 9% a 10% subiu para 33% na população infantil, dado de pesquisa de 2009 do IBGE. Imagine agora como está”, aponta. Então como prevenção temos:

  • Pré-natal adequado
  • Aleitamento materno exclusivo até seis meses
  • Alimentação complementar após seis meses sem uso de produtos processados e/ou ultra processados
  • Incentivo à atividade física inicialmente de maneira lúdica e depois cerca de uma hora ao dia
  • Restrição de permanência diante de telas a 2 horas por dia e sempre com supervisão dos responsáveis
  • Manter horas de sono adequadas para a faixa etária

 Alimentação da criança é fundamental para prevenir doenças como a obesidade

“Não é fácil o aleitamento materno, convencer uma mãe a amamentar até seis meses é complicado e esta orientação começa desde o pré-natal. É preciso incentivar e dar suporte à mulher neste período. Após os seis meses, é necessário inserir os grupos alimentares, ou seja, cereais, tubérculos, carnes e ovos, leguminosas, laticínios, frutas e água, fazendo um prato bem colorido. Com alimentação variável, comendo no lugar certo, à mesa e nos horários corretos. Evitar sal, açúcar, deixando a criança provar o sabor do alimento in natura”, aconselha a doutora Marta Lopes.

Mensagem para os pais

A doutora explica também que a família tem um papel muito importante para o desenvolvimento saudável da criança.  “A família precisa ser muito tranquila e segura no momento da educação desta criança. Alimentação também é noção de limite, onde a família mostra a autoridade dela sobre a criança. Sem isto, podem surgir distúrbios emocionais. É preciso estar atento também ao horário de sono, pois criança que dorme menos tem risco aumentado de evoluir para obesidade”, explica.

A doutora ainda orienta que a família pode ajudar na qualidade alimentar da criança, por exemplo, evitando alimentos processados e ultra processados pois hábitos saudáveis decorrem de atitudes saudáveis e de todos familiares.

“E brinque com seu filho, fazendo uma atividade com gasto energético, por exemplo, pular corda.  E, identificado o problema, procure por ajuda, por um tratamento multidisciplinar com nutricionista, educador físico, psicóloga, porque muitas vezes esta criança sofre bullying na escola, por exemplo. E isto gera depressão. O impacto da obesidade na criança é muito grande e muito precoce. Precisamos cuidar da criança de hoje, para que o adulto de amanhã seja saudável”, completa.

(Fonte: Unimed Salto/Itu)


  
  
 
 
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